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Abordagem multidisciplinar e uso de multi-plataformas para estudar a
dinâmica das esteiras de ilhas
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A configuração batimétrica do
Arquipélago da Madeira é complexa. Há
três principais grupos de ilhas (esquerda-direita) Porto
Santo, Madeira e Desertas, e Selvagens (ilhas-cone, mais à
direita). Uma cordilheira montanhosa (submersa) faz a
ligação entre a Madeira e as Ilhas Desertas. A
profundidade desce abruptamente podendo mesmo atingir os 4000m, em
redor da plataforma das ilhas. É uma
configuração típica de plataformas de
ilhas em ocean profundo.
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Os estudos das esteiras de ilhas com modelos numéricos
ajudam a determinar o espectro de regimes geofísicos em que
estas são formadas. Uma metodologia semelhante à
que foi usada por Dong et al (2007), foi recentemente implementada para
estudar os regimes no caso da ilha da Madeira. A
estratificação e a rotação
planetária tomam uma importância relativa e devem
ser adequadamente consideradas. A este respeito, parâmetros
adimensionais como o número de Reynolds (Re), o numero de
Burger (Bu) e o numero de Rossby (Ro), desempenham um papel
preponderante no posicionamento dos vários
cenários no espectro de regimes geofísicos. Por
exemplo, no estudo do Dong et al (2007), valores baixos de Ro induzem a
formação de turbilhões
simétricos, anticiclónicos e
ciclónicos. No entanto, no caso da Ilha da Madeira, o
obstáculo (Madeira) é assimétrico, e
mesmo em regimes de baixos valores de Ro não se espera
simetria na formação da esteira
oceânica. Além disso, a presença das
Ilhas Desertas a SE, desempenham um papel significativo nas
dispersão dos turbilhões
anticiclónicos. A figura (à esquerda) mostra a
temperatura da superfície do mar (“SST - Sea
Surface Temperature”) após 150 dias de
cálculo, com o modelo numérico “ROMS -
Regional Ocean Modeling System. Cores quentes (vermelhos)
representam temperaturas mais elevadas, enquanto cores frias (azul)
temperaturas mais frias. É claramente visível a
falta de simetria entre os turbilhões ciclónicos
e anticiclónicos, bem como a influência das ilhas
mais pequenas (Desertas) na dissipação da
esteira.
(mais + ...)
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Um esforço cooperativo entre os membros deste projecto, o
grupo de oceanografia física na Universidade de Las Palmas
de Gran Canárias (ULPGC) orientado por Pablo
Sangrá, e o grupo de investigação da
UCLA orientado por James McWilliams, resultará num estudo
comparativo das esteiras de ilhas de todos os Arquipélagos
da Macaronésia (Açores, Madeira e
Canárias).
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Barkley (1972) comparou a formação de esteiras
atmosféricas no “Johnston Atoll”,
à formação de esteiras
oceânicas no Aquipélago da Ilha da Madeira. Os
dois fenómenos eram comparáveis adimensinalmente
e produzem esteiras muito semelhantes, uma vez que o actual
domínio de fluxo dos ventos do Pacífico Norte
Equatorial e do Oceano Atlântico Nordeste são
similares (Re = 90). A viscosidade mais elevada do oceano
(relativamente à atmosférica) é
compensada pela maior velocidade do vento (relativamente à
velocidade das correntes oceânicas). Esta
semelhança sugere que ambas as esteiras podem expandir-se
numa area até 600 km a sotavento da Ilha da Madeira. Barkley
também previa que seriam necessários cerca de 7,2
horas para formar a esteira atmosférica. No entanto, a
relação entre a formação de
esteiras atmosféricas e oceânicas a sotavento da
Madeira e de outras ilhas, ainda não está bem
estudada. (mais + ...)
Scorer (1986) utilizou a imagem de Guadalupe e das esteiras
atmosféricas da Ilha da Madeira, para ilustrar a
formação de "Von Karman Vortex Streets" no seu
livro sobre nuvens.
As "bombas biológicas" que muitas vezes resultam da
actividade turbulenta nas esteiras das ilhas, deixam uma assinatura
detectável por vários satélites.
Vários processos físicos, tais como filamentos,
células de afloramento de pequena escala etc.,
reforçam uma mistura vertical das aguas profundas, rica em
nutrientes. O resultado é um "oásis", uma
região recém-fertilizada, cheia de vida. Esses
oasis são muitas vezes conhecidos, na literatura
científica, como o “efeito de ilha”, que
foi alvo de discussão num primeiro estudo
científico para o Arquipélago da Madeira, por
Caldeira et al (2002) e que também contribui para a
formulação do presente projecto.
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A imagem (esquerda) mostra um aumento de clorofila na
superfície do oceano captada a 28 de Agosto de 2006, pelo
sensor MODIS (“Moderate Resolution Imaging
spectroradiometer”). MODIS é um instrumento que
viaja a bordo dos satélites Terra (EOS AM) e Aqua (EOS PM).
Este aumento de clorofila resulta da actividade de
turbilhões ciclónicos que ocorrem no flanco
ocidental da Ilha da Madeira e que são
responsáveis pelo transporte de nutrientes até
à superfície. Uma vez que a estas Latitudes a
radiação solar não é um
factor limitativo, o crescimento do fitoplâncton depende
muito destes eventos de enriquecimento. Por outro lado, a
advecção destes sistemas para o oceano profundo
pode levar à construção de um pequeno
ecosistema próprio. aves, peixes e mamíferos
marinhos tiram vantagem de tais sistemas. O trabalho actual, em
colaboração com o museu
baleia, através
de um projecto INTERREG IIIB apoiado por EMECETUS, irá
ajudar a compreender o papel destes fenómenos
oceanográficos como possíveis elementos
"agregadores" de cetáceos.
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A fim de expandir o conhecimento da dinâmica dos
fluídos geofísicos nomeadamente dos aspectos
relacionados com a formação e
dissipação das esteiras de ilhas, os membros
deste projecto em colaboração com colegas
internacionais de França, Espanha, Alemanha e Reino Unido,
foram contemplados com financiamento para desenvolver ensaios
laboratoriais que terão lugar numa infra-estrutura europeia
integrada na iniciativa: HYDRALAB III. Os ensaios em
laboratório visam estudar um espectro de regimes
geofísicos que estimulam a formação de
esteiras de ilhas. As experiências terão lugar
durante o mês de Novembro de 2008, num tanque rotativo
localizado em Grenoble, França. A plataforma de Coriolis
dada a sua dimensão (14m), e capacidade de controlar a
rotação e estratificação,
irá proporcionar o acesso a uma gama de números
Ro e Re, ímpar em todo o mundo. Por outras palavras, os
regimes de baixa viscosidade e com efeitos Coriolis
consideráveis podem ser alcançados, enquanto a
força centrífuga permanece insignificante. Tais
regimes são directamente relevantes para o estudo dos
processos oceânicos de mesoescala (10-100 km,
dimensão horizontal). As experiências nas esteiras
de ilhas com um alto Re e Ro também incluirá
estudos em torno de um modelo físico da Ilha da Madeira,
como obstáculo. Os resultados irão servir como
pontos de referência para as experiências
numéricas, assim como complemento à
interpretação das
observações. (mais + ...) |
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Bibliografia:
- Barkley, R. A. (1972). Johnston Atoll's
wake. Journal of Marine Research, 30: 201-216.
- Caldeira, R.M.A., S. Groom, P. Miller,
and N. Nezlin. (2002).
Sea-surface signatures of the island mass effect phenomena around
Madeira Island, Northeast Atlantic. Remote Sensing of the Environment,
80: 336-360.
- Dong, C., J.C. McWilliams, and A.
Shchepetkin. (2007). Island Wakes in Deep Water. Journal of Physical
Oceanography, 37: 962-981
- Scorer, R. S. (1986). Cloud investigation
by satellite. Ellis Horwood. Chichester.
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